21 de março – Ato por marielle no Largo São FRancisco

Imagem: Ronaldo Miranda

TExto: Gavin Adams

21 de março

Saí da estação Sé às 17h para ir ao Largo São Francisco no ato por Marielle convocado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto. Ainda restava uma esperançazinha que fosse massificar, mas não foi o caso.

Esta foi uma das muitas atividades de hoje pela cidade, relatadas por E: um ato idêntico na PUC, uma palestra sobre o trabalho de um arquiteto brasileiro negro do século XVIII , um ato anti-bolsonaro no MASP, e um encontro sobre a democracia na internet, do qual M participou. Os professores municipais estão em campanhas de marchas pela cidade, e amanhã vai ter mais uma.

Tinha pouca gente quando cheguei ao Largo, mas a camioneta de som já tinha chegado e tocava Ivan Lins e Raul Seixas (“nós não vamos pagar nada!”). Pela primeira vez em meses achei a qualidade do som boa. Entrei na Faculdade para ver a feira de livros. Fiquei sabendo que haveria um debate conjunto hoje ainda, depois do ato, com o MTST e movimentos negros, no auditório do primeiro andar.

Aos poucos as pessoas foram chegando para o ato, incluindo E e R. Vi bandeiras da ADUSP, CSP-Conlutas, Mulheres em Luta CSP, PSTU, “Movimento Nacional Quilombo, Raça e Classe”, do SINTRAJUD e uma que eu tinha achado ser da Negação da Negação que na verdade é da Transição Socialista. Vi uma camiseta do RUA, do Levante popular da Juventude e do Território Livre. Vi um moço com uma camisa do Palmeiras, número 10 Ademir da Guia e outra da Democracia Corinthiana. Vi o estandarte do AFRONTE.

Dez PMs com 10 motos vigiavam o movimento.

O ato começou bem, e de imediato achei que as falas contemplavam o ponto essencial: o Estado matou Marielle e a intervenção é parte disso. Falaram professores e alunos, e também gente do movimento negro e MTST. Depois do tom religioso de ontem, foi mais legal ouvir formulações mais de resistência. Por outro lado, parece que a onda Marielle está passando e prevaleceu sua normalização. Dá para ver que tem uma juventude negra se radicalizando, impaciente com a esquerda branca. Ainda tem gente que se vê fora da linha de tiro e não se agonia com a situação. Alguns oradores falaram da necessidadde de ocupar e disputar o espaço narrativo acerca da execução e da luta por direitos humanos.

Vi A e S, conversamos um pouco. Um amigo de E disse que o episódio Marielle era equivalente ao do Riocentro, um atentado fracassado de militares de direita que sinalizou o começo do fim da ditadura. Achei exagerado mas entendi o ponto. Vi falar ao microfone o FS, a quem não via há muitos anos e que nesse mesmo Largo fora espancado pela polícia de Michel Temer, então secretário de segurança estadual, no dia seguinte da derrota das Diretas Já em 1984.

Na rede, E viu que o ato do MASP estava pequeno mas com muita polícia em volta. Mostrou também a foto do manifestante da caravana de Lula no Sul sendo chicoteado por um ruralista.

Notamos que havia, naquele ato, na maioria, jovens de 20-25 e também homens e mulheres de 40-60 anos.

Vi faixas “ANDES Sindicato Nacional CSP-Conlutas”, “Marielle Presente”, uma grandona “Nos 130 anos da falsa abolição, Mulheres Negras não param de lutar! Basta de violência e racismo. Reparação já!”, “Na luta dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, construir a revolução brasielira. Comitê do Nildo vereador PSOL” e “Não ao SAMPAPREV. Contra os gpvernos e patrões. Reviravolta e MML. Fora Temer e Fora Doria”.

Insisti e fomos a um bar local antes de acabar o ato, E e R. Ao sairmos às 20:15h em direção ao metrô, trombamos com uma passeata do MTST contra a política de transporte de Doria, em frente ao Largo. Eram uns mil e duzentos Sem-Teto, que estavam a caminho da Cãmara Municipal. Vi uma faixa “Tarifa sobre e o ônibus some”. Achamos notável que o MTST esteja emcampando esta pauta, pode ser que esta bombe por causa disso. Acompanhamos o cortejo até o viaduto sobre o Terminal Bandeira e os deixamos.

Tomei o metrô e fui para casa.