1 a 3 de setembro – paramilitares

Os relatos são parte de uma observação do atual momento histórico e perfazem um diário das movimentações de rua, desde dezembro de 2015; uma observação fina no nível da rua, olhar de formiga construindo análises a partir de fragmentos. Na tradição etnográfica ativista e num esforço benjaminiano, vou recolhendo tudo, como que tentando antecipar o pior porvir, deixando assim um rastro para o aprendizado de futuros intérpretes sobre nossa catástrofe.

Texto e imagem de Gavin Adams

 

1 de setembro

Vi 12 meninos de uns 20 anos em roda no Centro Cultural São Paulo. Pertinho da saída do metrô Vergueiro, ao ar livre. Eles cantavam aquelas canções/bordões militares, cadenciados e rimados. Algumas eram do BOPE. Ficaram lá pelo menos uns 15 minutos.

3 de setembro

Estava no boteco Monte Carlo escrevendo quando vi um moço de uns 30 anos vestido com um uniforme ao estilo militar: camisa cáqui (como a antiga PM de São Paulo), calça preta e quépi americano. Eram 18h.

Depois ele foi embora e o lugar encheu de jovens negros, uns 30, certamente do evento de Slam na Casa das Rosas lá perto. Fiquei aliviado, mas a paramilitarização da direita no geral está em pleno curso.