23 de agosto – sonho

Passei a relatar sonhos no diário depois de saber que há muitos companheiros que, como eu, têm sonhado sistematicamente com multidões, conflagração, rua e polícia. Há quem estude os sonhos que as pessoas tiveram logo antes da Segunda Guerra Mundial. Então experimentalmente adiciono meus sonhos à etnografia das mobilizações de rua.

Imagem de Gavin Adams

23 de agosto

Sonhei que viajava deitado em cima de um trem em movimento, com lençóis e cobertores, e de lá via o nascer do sol no horizonte. O veículo se transformava ao passarmos por uma cidade antiga, com uma favela medieval. A cidade no final parecia Barcelona e tinha uma manifestação grande numa larga avenida. Tinha companheiros antifas, mas também uma galera muito estranha, tipo Cavaleiros de Cristo, com máscaras, túnicas e meio zumbis.

Saiu a passeata, e, curiosamente, a frente do ato era composta de companheiros conduzindo a pé cavalos pela rédea. Caímos em uma cilada da polícia que atirava sobre nós. No corre-corre, fui cercado com um grupo de uns 5 manifestantes, e os policiais lançaram uma bomba no meio de nosso grupo só para ver a gente ficar saltitando em pânico.

Passou perto um moço civil, a quem as pessoas rogavam “alcaide! Alcaide!”. Mas o moço não dizia nada nem interferia, só indicando com o rosto que a situação era grave e que era melhor sair fora.