10 de agosto – sonho NO ALÉM-MAR

Passei a relatar sonhos no diário depois de saber que há muitos companheiros que, como eu, têm sonhado sistematicamente com multidões, conflagração, rua e polícia. Há quem estude os sonhos que as pessoas tiveram logo antes da Segunda Guerra Mundial. Então experimentalmente adiciono meus sonhos à etnografia das mobilizações de rua. Depois de um intervalo de umas quatro semanas, voltei a sonhar em agosto.

Imagem de Gavin Adams

10 de agosto

Do companheiro P, que é artista e está trabalhando fora do Brasil:

“que curiosa a sincronicidade: tenho tido uns sonhos bem intensos.

estava em um lugar que parecia ser os bastidores da “frestas”, trienal que abre esta semana no sesc sorocaba, com trabalhos sendo montados. tenho amigos por lá e sei que essa trienal terá um teor político urgente e necessário.

de repente parecia que o mundo externo queria entrar e fiscalizar as obras, e com ele o golpista michel temer e suas tropas de choque, junto da corja de corruptos. houve confusão, houve empurra-empurra, conflito mesmo. mas em certo momento alguns companheiros (muitos eu não conhecia) estavam juntos em uma outra area e um deles comemorava o fato de ter conseguido se aproximar do chefe golpista e ter conseguido implantar nele vários microfones minúsculos criado por ele próprio e que seriam impossíveis de localizar ou de destruir.

acho que foi uma resposta ao fato de temer ter instalado na sua sala dispositivos que embaralham as ondas sonoras a fim de evitar novas gravações dos absurdos que ele vem decidindo a fim de tentar incriminá-lo. de fato, seria uma “fresta” para novas gravações.

acordei afoito e desnorteado. não consegui voltar a dormir. de repente meu celular apitou, havia emails. resolvi checar e me deparei com esse seu email do sonho [mexicano]. caraca.”