8 de agosto – Sonho mexicano

Passei a relatar sonhos no diário depois de saber que há muitos companheiros que, como eu, têm sonhado sistematicamente com multidões, conflagração, rua e polícia. Há quem estude os sonhos que as pessoas tiveram logo antes da Segunda Guerra Mundial. Então experimentalmente adiciono meus sonhos à etnografia das mobilizações de rua. Depois de um intervalo de umas quatro semanas, voltei a sonhar em agosto.

Imagem de Gavin Adams

Da companheira M, que é brasileira, de minha geração e mora no México:

“Aproveito e conto um sonho: tinha, com outras pessoas, feito uma festa de apoio ao Lula no salão de festas do condomínio de um prédio. Mas todos os convidados que chegavam eram coxinhas, antipetistas, e falavam mal do Lula. Mesmo os de quem eu esperava outra coisa. Cada vez que alguém abria a boca, era uma decepção: ‘Você também?’.

Um pesadelo. Meio estereotipado, apesar de bem realista, mas juro que sonhei isso (foi quando ele foi condenado)”.